A idade onde a vida começa. Pronto! Aqui começa a vida!

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Será mesmo que os jovens não enxergam que irão ficar velhos um dia? Será que eles não desejam isso na vida, e por isso não enxergam?

VELHICE

Dialogar sobre velhice ainda parece algo complicado. Acabei de chegar de um evento com muitos jovens que dialogam negócios, com uma impressão de que o assunto envelhecer ainda é tabu.

Ninguém quer velho, ninguém gosta de velho mas todo mundo quer viver com saúde, ativo, independente…

Só que não dá para visualizar nosso futuro longevo sem pensar em envelhecer.

Às vezes parece que as pessoas acham que nunca ficarão velhas. Será que pensam que morrerão antes?

Vivem se projetando para o futuro de que forma?

O futuro é mais imediato do que a longo prazo? E o longo prazo não existe?

A idade onde a vida começaA idade onde a vida começa

Acabei de voltar “pilhada” desse evento. Muitas conexões e ideias boas em negócios sociais. A única em longevidade e envelhecimento saudável era a minha. E a única que ganhou votos mas não ganhou adeptos .

Fiquei sozinha por uns instantes experimentando a solidão dos leões.

Envelhecer ainda não é assunto social, pensei…

TUDO PODE COMEÇAR AOS 40, DESDE QUE VOCÊ QUEIRA

E se eu disser que a  vida germina aos 40? E que o que passou foi apenas plantio? Ou um treino para viver de verdade?

Pois é… em antroposofia aprendi, há uns anos atrás, uma interpretação genial do ciclo da vida, o que complementou bastante meus conhecimentos em raja yoga. Compartilho com vocês:

Antes de virmos ao mundo físico existimos em essência: o ser!  Aquele que dará vida ao corpo.

Viemos puros e “acontecemos” primeiramente num corpo puro de uma criança. Algo que atrai a atenção de muitos.

O ser passa então a acompanhar o corpo, o qual vai explodindo em novas células, desenvolvimento dos órgãos e ampliação das percepções.

Que mundo é esse? Passamos a nos perguntar enquanto jovens indignados com muitas barreiras e ideias antiquadas.

Passamos a buscar intensamente o novo até que a primeira oportunidade de sermos livres aos 18 nos deixa hesitantes “quanto ao que quero pra minha vida” vivendo de forma angustiada até a segunda porta da liberdade: os 21 anos!

Daí pra frente saímos a cavalo para o mundo e galopamos intensamente, sem até mesmo se importar quem nos acompanha e em momentos de desafio aumentamos o trote com uma potência incrível.

Pulsamos vida e temos muitos desejos dos quais começamos a correr atrás quase que vestidos com armaduras, elmos e lanças.

Aos 30 começamos a descobrir que estamos “jogando muito duro com a vida”. Enfim, reconhecemos que há muitas coisas sem importância.

E esta é a primeira vez com seriedade que voltamos para nós mesmos e nos perguntamos: “estou no caminho certo?”

Muitas vezes reconhecemos que “não”. E nos frustramos mas de modo mais maduro pois passamos aceitar “o inexplicável da existência”: na vida muitas vezes questões espirituais contam mais e pode até definir destinos.

O ANDARILHO

Descemos do cavalo e começamos uma marcha a pé, com uma mochila nas costas onde levamos o essencial deixando muitas inutilidades para trás. Começamos a ter saudade daquela essência leve do ser e começamos desta maneira a procurá-lo!

Assim seguimos até por volta dos 40 anos onde uma nova porta se abre: a porta da maturidade.

Nasce um centauro. Criaturas fortes e saudáveis, que gostam de guerrear mas desta vez… com sabedoria!

Daí, percebemos pela primeira vez que amadurecemos e que isso é um processo vivido desde o nascimento.

(de jeito nenhum é da noite para o dia! brota o primeiro sentimento de autorrespeito).

Assim todas as memórias possíveis passam a fazer parte das tomadas de decisões. A conexão com “a essência” é fundamental para se fazer coisas, pois todas as elas têm que fazer sentido.

O “futuro” é sentido como muito perto: ele representa morte, tempo perdido – tempo aproveitado, “hora da vitória”, autorrealizações e conclusões existenciais íntimas.

Pronto! Aqui começa a vida!

Viver pra mim é um processo tipo “fase 1 – fase 2”. Na fase 1 você experimenta, joga, treina, se habilita. Na fase 2 você pratica!

Temos na fase 2 todos os recursos suficientes para se aventurar, ousar, criar e assumir com segurança (seu jeito, seus desejos, suas escolhas).

Temos as experiências básicas, testes de “certo-errado”, pessoas em conexões de todos os tipos. E uma capacidade intelectual que não precisa de tanta memória assim, pois a partir dos 40 “a gente sabe como faz”.

Daí por diante “coisas passam a serem feitas com mais sentido, mais utilidade e mais propósito” para a vida.

Não somente a vida individual, mas coletiva também. Entendemos mais a importância do grupo, dos mais jovens, dos mais velhos e que nos assegura para uma jornada sadia é o senso de pertencimento, amizade e mais equilíbrio em tudo que se faz.

Utilizamos mais nossos valores e doamos mais para o mundo.

Esta autorrealização me sentir que a vida de fato começa aos 40.

Portanto, viva la vida!

Gal Rosa
para o Site Viver Ativo e Saudável