A arte de contemplar

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Pratico meditação Raja Yoga há ininterruptos 15 anos. Não me lembro de ter deixado um dia sequer sem meditar. O que mais aprendi nesse tempo todo foi compreender o significado da arte de contemplar.

Sim! Compreender! Pois o aprendizado é constante e por tempo indeterminado. A contemplação é algo natural da alma, cuja mente se propõe a deixar-se ser observada, sem timidez ou censura.

Apenas coloco-me através do “olho da consciência” para observar a mente livre e solta.

Entendendo sobre os recursos da contemplação

A contemplação utiliza o pensamento como meio de se fazer acontecer. E este, por sua vez, utiliza memórias e fragmentos de ideias para poder existir.

Só consigo pensar, se tenho algum registro na memória. Ora! Memórias são gravadas principalmente pela “cola das emoções”. E suas evasões nos remetem a sentimentos, de um jeito ou de outro. Consciente ou inconsciente.

O pensamento nada mais é que um “atalho para os sentimentos”. E os sentimentos é onde queremos chegar com tudo o que vivemos.

Não consigo pensar sem sentir. Não consigo sentir sem pensar.

Na primeira forma tudo que eu penso se conecta rapidamente com a experiência sobre o que penso. E muitas vezes não sei com clareza o que sinto, mas ao perceber que sinto, o pensamento fica procurando uma explicação para aquilo.

Então a nossa fórmula seria assim?

CONTEMPLAR

=

SENTIR OS PENSAMENTOS (IDEIAS ORGANIZADAS)

+

VIVÊNCIA DOS PENSAMENTOS

Saúde é resultado de equilíbrio. E o equilíbrio é possível quando estamos alinhados com o que sentimos, pesamos e fazemos.

Alinhar PENSAMENTO E SENTIMENTO me faz experimentar mais  equilíbrio e portanto, mais saúde.

Quando estão “cada um para um lado” (PENSAMENTO E SENTIMENTO), torno-me confuso, dependente, ansioso, com sensação de vazio ou de prisão, condicionado ao que o meio quer que eu pense, ou sinta ou faça.

A importância de contemplar

Quando sei contemplar a visão abre! Sinto-me criativo, encontro soluções de forma mais rápida, sinto-me saudável.

Contemplar é parar no tempo e no espaço afim de “curtir” e “curtir-se”, com tempo suficiente para interagirmos com o que estamos vendo, verificando o que estamos sentindo no momento.

Contemplar inclusive é de momento, é do agora! Não dá pra depois.

Contemplar nos ajuda alinhar pensamento e sentimento, e isso é tudo quando o assunto é bem estar. Afinal de contas o que é doença senão quando não sabemos o que sentimos ou não sentimos o que pensamos?

Um pouquinho de história

Com o início da filosofia ocidental, a humanidade aprendeu (a duras penas vividas por Sócrates) que “pensar e buscar novos pensamentos, amplia a visão da vida. Mas foi dureza ele provar isso. Afinal, ninguém conseguia compreender pra quê de forma prática servia “ficar pensando e encontrando respostas e mais perguntas depois da cada resposta”, enfim… uma inutilidade que ainda por cima provocava muita gente.

Mas depois, novas considerações foram surgindo a partir do momento em que novos pensadores forma se destacando. E daí, vem Platão pra nos colocar e os tirar de uma caverna.

Começamos a aprender que, além de revelar segredos existenciais, pensar nos torna mais seguros e com sensação de poder sobre si mesmo e seus eventos de vida.

Contemplar é algo tão importante que só o efeito que ela nos dá de ampliar a visão observando a si mesmo, nos trás mais vida, menos doença, mais alegrias e então felicidade! E isso Aristóteles defendia bem.

De forma simples, o que é contemplar?

Contemplar é movimentar os pensamentos experimentando prazer ao mesmo tempo. E nos leva a “conhecer”, com experiência de prazer.

Contemplar pra Conhecer. E Conhecer é a força motriz para se viver. Sem conhecimento adoecemos por não saber. Não saber como, não saber sobre, não saber para onde nem para quê, não saber de si.

Nossa natureza curiosa nos faz viver em busca de experiências. E quando sabemos o que experimentamos, nos sentimos seguros, confiantes e tranquilos por ter poder sobre a situação de se viver.

A contemplação é o caminho para isto.

Contemplar para não adoecer

Podemos olhar para as doenças como resultado de algo feito sem saber, sem medir, sem notar…

Se é genética e não sabemos: não cuidamos.

Se é devido acúmulo por maus hábitos no decorrer do tempo: não havíamos sabido previamente.

Se é devido excesso: falta de conhecimento.

Ao contemplar consigo me escutar. Escutar a conexão que a mente faz com o coração. Pois contemplar é experimentar o prazer em pensar e ao mesmo tempo sentir o que se pensa (ou pensar o que se sente).

Isso cura e  então, liberta!

Como contemplar

O simples fato de “olhar” para seus pensamentos e experimentá-los internamente é contemplar!

  1. Olhe e veja o que se passa.
  2. Nomeie seu sentimento nesta hora.
  3. Desdobre-o em outras considerações que possa ter, faça conexões com você, com seus desejos, suas percepções sutis…
  4. Conecte-se fortemente com o sentimento mais do que o pensamento, por uns instantes.
  5. No momento seguinte, conecte o sentimento com o seu momento atual.
  6. E então clareie a mente com pensamentos afirmativos: ” isto acontece por causa disto”, “o que me importa agora é experimentar saúde”, “mesmo não estando bem confio no meu processo”, etc etc etc

e também desfrute de seu “momento eureka”, pois contemplar alimenta a intuição e então muitas luzes podem se acender.

O que se deve contemplar

A princípio tudo que te remete a um valor, uma beleza, uma virtude.

Você pode contemplar enquanto comendo, no ônibus, em silêncio, vendo uma paisagem…

Tente manter a mente com seus pensamentos, à vontade. Não crie julgamentos para o que vc pensa. Deixe seus pensamentos fluirem.

E… desfrute deles. Sentirá em algum momento que mesmo a mente pensando, os pensamentos não importam mais. Parece que você vai lá no fundo da alma e volta com respostas simples, com nitidez, com percepções claras pois você limpou a sujeira da mente que rolava pra lá e pra cá, antes de se colocar a “contemplar”.

Apenas isso.

Ficarei por aqui neste artigo. Sinto que compartilhei o essencial. E desejo que você tenha maravilhosas experiências todos os dias!

Abraços da Gal